quinta-feira, 12 de novembro de 2015

o violão que não toco
os livros que só compro
os blocos sem rabiscos
os talentos que por ventura existam

todos habitam esse quarto
menos eu

tudo habita esse quarto
menos eu

se há sentido nisso
toda manhã
se livrar do querer
correr pro dever
pra chegar no quarto
e descobrir que em mim
nem mais sequer habito

hoje sou travessia
atravessada
nada além de um montante
de possibilidades
abandonadas



quarta-feira, 14 de outubro de 2015



ela
com todos os poréns
os tratos
as dores
os comprimidos
os descuidados
os excessos
de informação
que catalogam
possíveis tragédias
dos 1%
que não tem solução

eu
e os calma aí
os pera lá
os vem aqui
os não faz isso
os deixa assim
os não tem razão

eu
com todos os poréns
os destratos
as dores
os esquecimentos
das doses que não curam
e os excessos
de aflição
que catalogam
mais mazelas pra coleção

ela
e os toma isso
os deixa comigo
os não esqueça disso
os leva aquilo
os beijos nas dobras
os 'tá bem assim?

eu
e uma puta sorte
de doer
com você


terça-feira, 15 de setembro de 2015

terça-feira, 1 de setembro de 2015

9:45

na pressa da manhã 
eu vou andando 
e descascando 
uma banana
quando vou comer
não como

do outro lado da rua
na virada do ponto de ônibus 
dois daqueles homens 
dos homens que se viram
viram
seus paus se despindo
por baixo da casca
da minha banana 

a fome eu aguento
do asco da lógica 
me alimento 
pobre mesmo é a banana 
em sua forma perfeita 
e sacana
desamarela e morre 
pelas bocas que se amedrontam

pela minha não.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

obs.

você
e as manias
das costas que pingam
dos minutos pra deitar 
do virar dos rótulos 
do cabelo secar
dos lençóis comprar
dos gatos acompanhar 
da TV conectar 
de todas as coisas cuidar
e eu 
que tanto tento não rimar
não posso consertar
se nada te cabe 
que não o verbo livre
pra contar 
esse fazer em círculos 
ninguém para pra notar 
meu deus a sorte
que do meu lugar
dá pra ver você dançar 
as roupas trocar
os olhos coçar 
e então recomeçar 
a ser seu círculo 
de todo santo 
e não santo dia

(é tudo poesia)

quinta-feira, 20 de agosto de 2015


pra cada gota
que não cai dos olhos
um prego a mais
me broca a alma
em nó se faz
a expiração 

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

eu
na boca dos outros
sem cor
açúcar ou
sabor
como um chiclete velho
só serve
pra mastigar

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

você em água
ora nos olhos
ora nas mãos

o rabisco da nuca
nunca tinha 
tomado outro corpo

só agora
então





terça-feira, 28 de julho de 2015

tanta coisa pra te dizer







que é melhor calar.
meu coração
e uma bola de ping
pong

entre ele
a rede
e os lados da mesa

é quem se debate mais

quarta-feira, 22 de julho de 2015

a calma
nos seus olhos

tanto quis
e agora me destrói

domingo, 12 de julho de 2015

um tanto mais livre
quando acho no bolso
meu punhado de chaves

terça-feira, 7 de julho de 2015

sua mente
e a incrível capacidade
de molhar virilhas



da poltrona ela me diz
com olhos que escutam
"tudo está em seu lugar"

eu é que
de mim
falo baixo
pra não incomodar

segunda-feira, 6 de julho de 2015

espera
que não faz bem amar
um corpo
desgovernado
feito o


                     m
                                                e





                                     u

quarta-feira, 1 de julho de 2015

boto o amor no mudo
e ele cresce 
mais ou tanto
que planta de muro




segunda-feira, 29 de junho de 2015

eu, você
o chiado do recreio
o cheiro do café
o casaco no chão

eu, você
a neve na janela
da casa de 5
só vivem 2

eu, você
o buraco no teto
pra luz central
que não compramos

nem vamos

na mesa o caderno
a lente fora do corpo
e o aviso mudo
da poeira

não escutamos

faz -6
nos despimos e
a língua
estrangeira
vai te chupando

o enjôo dos dedos
sem solução
já que tu sais bien
que ce soit à Paris
ou à Berlin

nos encontramos

quinta-feira, 25 de junho de 2015

acorda e lava o rosto
com a água dos olhos

terça-feira, 23 de junho de 2015




sofro de uma praga
filha da puta
que renasce insistente
numa terra árida, desgraçada
que nem insisto em semear
 

sem uma gota d'Água
no seco do sol
rompe a poeira do chão
como se nascesse
do seio de Deméter
 

outra que só se fudeu
assim como eu
 

mas o caso não é mitológico
antes fosse
é caso meu
que vivo fadada
a esse maldito amor
 
meio Eurídice
e Orfeu

com enxada na mão
finco o fim na terra
de costas vou embora
e já escuto rasgar
essa praga filha da puta
não para de voltar
 

segunda-feira, 2 de março de 2015

112


a vida, agora, me faz parecer um pedaço de papel. 

escreverão em mim.

simples assim.





(eu aceito.)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

junto o verbo com o ato
ou o ato já é o verbo?

no esforço pra tentar,
no verbo,
traduzir o pensar

logo descobri que
nem o que há,

há.