segunda-feira, 16 de julho de 2018

1:49




these are not flowers
this is fire
and it hurts


oito colheres de sopa quente
água à se afogar
um gole de açucar
pros tremores silenciar
o que for suficiente
pro órgão-máquina não falhar
até onde
um corpo-dor há de chegar

escrevo em cantiga
doce e rima
como as tragédias que
toda mãe canta
pra fazer ninar
no meu próprio colo
eu mãe-de-mim
meu corpo há
de se embalar

(a infância é um aviso)
6:31

sua boca
ora lambendo todo meu corpo
ora perguntando
como eu estou

acordei

terça-feira, 10 de julho de 2018

nove dias
presa na respiração curta
de quem espera o soco
que se arma logo
à frente

segunda-feira, 9 de julho de 2018

you ask for us
to be stronger
for whatever comes
i agree but
i ask myself
while i’m here
healing to grow
will you be doing it
in the arms of what
already came


domingo, 8 de julho de 2018

levar a escova aos dentes
a colher de sopa quente
o botão à casa
os pés ao chão
a esponja ao prato
a camisa ao pranto
sorrir quando não
somam sete
entre outros atos
de resistência


quinta-feira, 5 de julho de 2018

num vaso novo
no sol
eu rego
e canto baixinho
pra não te incomodar

se quiser dar flor
vai dar


- 0,5mg

segunda-feira, 2 de julho de 2018

uma vez eu disse você
vai ser a única pessoa
capaz de me
estilhaçar

p      r o


                        n

                                     t                                             o

sexta-feira, 29 de junho de 2018

um filme não sabe quem o assiste
um filme não nota os olhos úmidos que lampejam dentro da sala escura

(nem você)