sábado, 11 de fevereiro de 2012

Açougue. Era esse o lugar?
No endereço vinha escrito:
"Estejas la e vais me achar".

No verso do bilhete,
Perverso este que preferiria nunca encontrar,
Tua caligrafia cruel pos-se a revelar:

"Tu nao quiseste meus dedos a te afagar,
Não quis meus braços a te consolar,
Nem os meus olhos a te observar.

Não quis em meu ventre te reproduzir,
Em minhas pernas se cansar,
Nem a minha língua quis sentir
Pelo teu corpo se afirmar.

De tudo, minha dor fez-se esvair,
Meu peito em paz, aliviar
Quando por ti,
E só assim,
Enfim pus-me a fatiar".

quinta-feira, 5 de maio de 2011

larguei de lado a agonia e peguei um lápis,
já sou o esboço do meu próprio eu.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

somos o espelho do inferno, escravos do tempo.

sábado, 17 de julho de 2010

Não sei não exigir que tu sejas razoável. Te escolhi na beira da redenção e da descrença que sinto neste mundo. Dos outros não posso exigir o critério; o olho fixo, a ciência do conviver. Mas posso abandoná-los pela desvirtude e pela enfermidade deste não saber.

4am

Aqui eu me desfiz de mim;

não temo os ponteiros

ou a posição do sol.


Aqui tu não me ligas,

não me intrigas,

não me corrói,

aqui tu não nos destrói.


Neste sono armadilha:

eu durmo por mim,

pra esquecer de ti

e lembrar de nós.

domingo, 13 de junho de 2010

INFERNAL




E pros que dizem que
"O inferno são os outros",
deles, só posso rir.

Porque o inferno são:
Os que são,
sem saber de si.
(censura-me)



Tua lingua adestrada, incitando cada canto do meu corpo: pulsante, fervente. Muito quente. Um sol nu, raios de suor - entrelaçado nas tuas coxas - derretendo teus músculos que se movem em uma marcha só. É a síntese, uma manobra insuficiente e outra mais além do que os nervos haveriam de esperar. O ritmo, então, se desvincula da pluralidade, se une e já é um só. É a fricção, é a insistência e a devoção. Devota eu sim, transcendendo os limites da repetição, os braços desistentes só querem mais é: te ver render, sucumbir, se desfazer; na minha boca. Minha mão, entre os dedos, língua, coxa, e logo lá no meu coração: houve o descompasso.Perco o ar, mas não é hora, fez-se contornar. Logo aí, como recompensa do destino, o nervo enrijece, é a melhor parte do adeus. Vem temerosa, sem saber se já é hora. E é. Explode, sutura, emerge, me afoga sem asfixia. Se rende... e me deixa tomar o que é teu. Me inunda. E enfim, os braços repousam quase mortos, adormecem e despertam logo após. E o que vem depois? Muito mais do que um dia foi um "nós dois".

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mais importante que saber o que se sente: é sentir o que se sabe.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Te amo tanto que
já não te enxergo mais.

domingo, 21 de março de 2010

Carolina


Me ponho a dormir
pra que te resolvas a vida.
Acorde-me só,
quando souber de ti.


Por aqui,
em cada canto e em todo o caso:
os enfadonhos dias de Carolina
já cansaram de se repetir.

Ouça os poetas,
músicos de viola e tinteiro.
Escute-os traduzir em verso
aquela mulher, o teu corpo inteiro.

Decifrando-te os dedos,
joelhos, os lábios
e o peito nu,

querem saber se é Carolina,
a que carrega nos olhos
todo ele...
Aquele mar de Capitu.