segunda-feira, 30 de junho de 2008

à mim.




se persistes, aconselho que saibas
nada terás de mim.
por horas infinitas viverás
distinguindo-se à burrice e ao vazio
da qual nem a si, sabe saber.

por essas e ainda por aquela outra
tu deverias se erguer
e no instante que te antecede
lembrar-me-ia, se me fosse em você
da qual aniquilava tua incansável sede
em tarde frígida, te fazendo renascer.

encerro-me em canto amargo
onde nele posso apodrecer.
boa moça já não mais; porém sei contrafazer.
a ti, nunca desejei
o melhor do prazer, encontrarás em mim
em outros corpos,
tu almejarás o fim.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

menina dos olhos.



meu empenho é alheio
descrente de qualquer auto-salvação.
meus desejos nutrem o seio
no qual descansa teu coração.

deixo ainda minhas palavras à te lembrar
dos dias claros que viveste
ao lado meu, quando nada temia
já que hoje - eu previa - estar a andar
em teu vazio, repleto de agonia.

acredite: você pode curar.
o meu desfecho é aquele que não se deve guiar;
mas, pelo resto da vida estaria a esperar
teu encanto, único, a implorar.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

auto retrato (2006)



no que eu faço
meu auto-retrato
me desenho um barco
por vezes afundo
ou me perco no mundo

me desenho folha
pra sentir como a bolha
anda feliz, se anda sozinha
mas me vejo criança
me tiro a lembrança
de um outono ventania
onde eu, folha
voava e sorria

num fim reluzente
eu me desenho contente
pra fingir que sou gente

mas no que eu faço
me apago todo dia
pra procurar minha semente
e perguntar se explicaria

por que eu, menina tão crescida
peço todo dia, não vente
pra deixar que eu procure a mim
isto, a mim, somente.
"(...) Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor."

Drummond.