sábado, 17 de julho de 2010

Não sei não exigir que tu sejas razoável. Te escolhi na beira da redenção e da descrença que sinto neste mundo. Dos outros não posso exigir o critério, o olho fixo, a ciência do conviver. Mas posso abandoná-los pela desvirtude e pela enfermidade deste não saber.

4am


Aqui eu me desfiz de mim.
Não temo os ponteiros
Ou a posição do sol.

Aqui tu não me ligas,
Não me intrigas,
Não me corrói.
aqui tu não nos destrói.

Neste sono armadilha
Eu durmo por mim,
Pra esquecer de ti
E lembrar de nós.

domingo, 13 de junho de 2010

INFERNAL

E pros que dizem
"O inferno são os outros",
Deles, só posso rir.

Porque o inferno são
Os que são,
Sem saber de si.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mais importante que saber o que se sente,
É sentir o que se sabe.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Te amo tanto que
já não te enxergo mais.

domingo, 21 de março de 2010

CAROLINA


Me ponho a dormir
Pra que te resolvas a vida.
Acorde-me só
Quando souber de ti.


Por aqui,
Em cada canto e em todo o caso,
Os enfadonhos dias de Carolina
Já cansaram de se repetir.

Ouça os poetas,
Músicos de viola e tinteiro.
Escute-os traduzir em verso
Aquela mulher, o teu corpo inteiro.

Decifrando-te os dedos,
Joelhos, os lábios
E o peito nu

Querem saber se é Carolina
A que carrega nos olhos
Todo ele...
Aquele mar de Capitu.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

AU REVOIR


Decretar o fim não é desmentir o orgulho ou dar voz ao fracasso. É se despir da pretensão e da teimosia. É dar a voz razão que, ainda em tempo, descobri vir também do coração. O fim surge como o nascimento do amor. Inquieto, impiedoso, urgente e indiscutivelmente suicida.

domingo, 7 de fevereiro de 2010


Deixando sufocar,
De leve, se esvai todo o ar.

Em cima do pescoço eu carrego
Quem vive a atordoar.

A mente
Sente
O que meu coração
Não mais pode sequer sonhar.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010


Desce arranhando a garganta
Ao centro do meu universo.
Rasga em pranto
O meu corpo, num torpor inverso.

Não há prazer em revê-la,
Só urgência de combatê-la.

Esta é a minha recusa,
Que aceita calada toda a dor
Por qualquer sinal do seu velho e bom,
Tão bom amor.