segunda-feira, 29 de junho de 2015

eu, você
o chiado do recreio
o cheiro do café
o casaco no chão

eu, você
a neve na janela
da casa de 5
só vivem 2

eu, você
o buraco no teto
pra luz central
que não compramos

nem vamos

na mesa o caderno
a lente fora do corpo
e o aviso mudo
da poeira

não escutamos

faz -6
nos despimos e
a língua
estrangeira
vai te chupando

o enjôo dos dedos
sem solução
já que tu sais bien
que ce soit à Paris
ou à Berlin

nos encontramos

quinta-feira, 25 de junho de 2015

acorda e lava o rosto
com a água dos olhos

terça-feira, 23 de junho de 2015




sofro de uma praga
filha da puta
que renasce insistente
numa terra árida, desgraçada
que nem insisto em semear
 

sem uma gota d'Água
no seco do sol
rompe a poeira do chão
como se nascesse
do seio de Deméter
 

outra que só se fudeu
assim como eu
 

mas o caso não é mitológico
antes fosse
é caso meu
que vivo fadada
a esse maldito amor
 
meio Eurídice
e Orfeu

com enxada na mão
finco o fim na terra
de costas vou embora
e já escuto rasgar
essa praga filha da puta
não para de voltar