segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Exercício Técnicas de Comunicação II (prof. Claudia Chaves)
- Escreva sobre alguém que você ama e me faça amá-la também.



A verdade é que evitei pensar no que escrever neste texto há alguns longos dias, tentando escapar da clareza e coerência dos fatos da minha vida que, no fim das contas, me convenceram a usar como artifício a sinceridade e atestar: não há do que falar. Desta maneira, me rendo ao destino de não cumprir com o objetivo da tarefa, falando então de mim mesma. Optei por isto acreditando que, assim como existem chances de não receber uma nota adequada a minha intenção, há uma probabilidade ainda mais atraente: ser amada.
Não entrarei no questionamento do amor em sua essência, pois dele já estou cansada de saber. Assim, aqui estou eu revelando a maior prova de meu apego incondicional a mim mesma: o medo da morte. Ela sim é uma companheira desleal. Ataca-me por todos os lados impedindo qualquer envolvimento com o resto da multidão. Ainda que seja um parasita persistente e pouco lógico, não estou escrevendo para me queixar dela, mas para apresentá-la como a maior prova do meu amor. A morte não dói em mim como afastamento definitivo das coisas que construí e das pessoas que cativei. A morte seria me perder de mim mesma, e essa dor eu sei não ser capaz de suportar.
Relendo o que acabo de sintetizar, sinto um gosto no fundo da boca que não me cai bem e, nesse caso, eu deveria reescrever, mas não o farei. Não quero que pense que eu me amo por ser a melhor pessoa do mundo, nem mesmo que eu tenha alguma disfunção narcísica ou algum tipo de psicopatia. Eu não quero que pense que eu me amo, por mais que já tenha dito isso. Eu me suporto e me acompanho, e me amo por ser capaz disso. Me amo por ser a única pessoa que, de frente ao pior e melhor de mim, não deu sequer um passo para trás.
Ainda insistindo no meu artifício inicial, serei sincera afirmando que talvez não houvesse mais nada a ser dito, porém, com medo da repercussão desse “relato expositivo”, tentarei aliviar um pouco esta paisagem um tanto nebulosa. Neste caso, reúno aqui alguns motivos pelos quais alguém deveria, se não me amar, no mínimo me acompanhar.
Começaria me definindo se soubesse como sou. A verdade, outra vez, é que ainda não sei onde batem minhas extremidades, não sinto meu cheiro, não me enxergo no que você vê, não tenho cor preferida e menos ainda pretendo ter. Encontro-me em poucos momentos e em todos os outros sou fera ferida, correndo numa selva sem dimensões. Sei que existo quando percebo estar sentada na beira da praia por conta da areia pinicando e, primordialmente, pelo único barulho que minha mente se cala para me deixar ouvir: o vento.
Eu sou quando não me escuto. Quando me deixo falar, completo meu corpo de interrogações sobre ele próprio e isso me cansa. Eu vivo do meu esquecimento. E ele só existe em tempos de beira de praia ou em tempos de gente. E este, este sim, é o tempo que só depende dos que souberam me encontrar.
Eu existo pelo amor, e por ele eu peço: não deixe de me acompanhar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Não é angustia, luto, ansiedade ou falta de amor. É pavor.