sexta-feira, 25 de dezembro de 2009




Ainda que saiba onde há luz,
Não atrevo entregar-me a tal escuridão.

domingo, 29 de novembro de 2009

E a desilusão?
Como o centro da terra,
Nada alcança o meu coração.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O AQUÁRIO


Os dias se passaram como férias de verão. As incertezas recheavam os fins de tarde, me fazendo flutuar naquele vapor incessante, rumo a sabe-se lá onde. Eram três meses e vinte oito dias de inércia. Quando a guerra chega para quem se ama, não há remédio melhor que a dúvida. Agora que me via próxima ao que me forcei não imaginar, não me envergonhava de pedir a deus que rolasse os dedos sob os ponteiros. O torpor da espera, de fato, já me parecia mais confortante.
Abri os armários girando lentamente as maçanetas, como se não houvesse tempo a perder. Olhei para as fileiras desordenadas de cabides mal pendurados e puxei o que me parecia o traje mais óbvio. Nunca havia me considerado pessimista, porém, diante das circunstancias mais básicas de uma batalha e das porcentagens que assombravam as manchetes de jornal, não me renderia a audácia de usar um amarelo colibri. Era tempo de parir o rombo que habitaria meu peito a partir daquela manhã.
O café da madrugada anterior permaneceu intacto e altamente atraente. Engoli o que restava sem notar o aviso amargo da borra que escorria garganta abaixo. No momento, aquele gosto não poderia ser mais apropriado.
Desde que ele se fora, nunca me permiti pensar que voltaria. Aos 9 anos de idade, minha mãe me dera um aquário com um casal de peixes. Um dia, Antônia girou sob a nadadeira e eu pude notar a saliência. Planejei tudo para a chegada dos filhotes e criei uma lógica que, de acordo com o limite máximo já registrado de girinos, todos os pequenos já teriam nomes, levando em conta a probabilidade básica dos sexos. Passei dias com a cara grudada ao vidro, esperando qualquer sinal.
Em uma manhã de chuva rala e sol indeciso, acordei com minha mãe ao pé da cama. “Eles comeram. Isso acontece, minha filha. Era provável.”. Desde então, se eu cultivasse algum desejo por qualquer coisa, eu não poderia me convencer de que era possível. O mais provável seria, para sempre, inatingível.
Caminhei alguns metros e logo notei o ruído de portas vizinhas anunciando outros passos que acompanhavam minha marcha fúnebre. Por algum motivo, aquelas mulheres pareciam esconder uma esperança velada. Como poderiam? Como seriam capazes de sorrir do que não sabem ser o destino que lhes agradavam?
Caminhei até a porta do cais, cedo demais. O barco apontava ao leste deslizando tão lentamente quanto as nuvens escuras que encobriam o sol. Um baque, um fluxo de alguma substancia muito traiçoeira invadiu minhas aterias. Me apoiei em um tronco tão desequilibrado quanto eu. Era uma chuva rala que batia em minha nuca, arrepiando-me não pela umidade e sim pela lembrança. O sol entrava por dentro das nuvens e se desfazia delas com tal descompromisso, que, de repente, fui transportada à aquela manhã onde a espera havia desabrochado em tragédia.
Os peixes haviam comido os filhos assim como eu havia me alimentado de uma esperança muda que, agora, gritava por todos os lados. Ele não voltaria, era a afirmação de um provável nada hesitante. Mergulhei naquela chuva de maneira que, se fisicamente possível, haveria agonizado em poucos segundos. Logo notei que o barco saltara do horizonte a beira e todos os navegantes estavam infernalmente parecidos.
Tentei me livrar das lágrimas acumuladas que prejudicavam minha visão, mas foi inútil. A correnteza que partia do meu peito havia escolhido meus olhos para se esvair. O desespero que me tomava começou a soar como pretensão, pois os casais se formavam lentamente, deixando um exército de desilusão para trás.
Não quis esperar para que o cais vazio me acordasse com a notícia que já compunha a última estrofe de minha vida, me virei sem pensar duas vezes e me juntei ao grupo que me pertencia. De tanto imaginá-la, a caminhada de volta poderia ter sido feita de olhos fechados, ao menos o desfecho não seria desavisado.
“Isabel!”. E assim eu descobri: a esperança não é amarga. Ela é doce. Como um beijo debaixo de uma chuva rala e de um sol indeciso.

sábado, 7 de novembro de 2009

Ancorada em tempos de inércia
Sem ter Deus para escutar.

terça-feira, 3 de novembro de 2009


Morto. Quem diria que eu poderia sentir a febre de existir logo quando atingi o prazo de validade. Os últimos segundos que me restam desse torpor que precede a escuridão soam como eternidade. Morto, abandonado, sozinho, largado a esmo como quando vim ao mundo. Esta é a cena de minha partida.
Olhe bem aí de cima: este asfalto úmido que anuncia o temporal que me lava e leva a alma é o mesmo onde à minutos atrás meus pés seguiam quentes. Não há espaço para lamentação e creio que nem tempo para tal ignorância. Da minha vida pouco soube enquanto pude respirar. Antes de chegar até esta ruela cinzenta, eu pensei no futuro, coisa que nunca havia feito por ter medo da desilusão.
Sempre ridicularizei os sonhadores. Infelizes filhos bastardos do próprio planejamento, afinal, qual o tamanho da pretensão dos quais desenham sua história? Infinita. Assim como minha vida teria sido se eu não houvesse me igualado aos que acabo de rebaixar.
Mas assim me fiz: burro e ingênuo como nunca havia me permitido. Larguei minha mulher, filhos e o micro-ondas que ainda devia sete prestações. Desisti do que me disseram ser a felicidade e fui à busca do meu maior potencial: o desapego. Nunca criei laços, menos ainda acreditei nos nós que eram amarrados aos meus pulsos. Regina mal sabia que o casamento as pressas vinha acoplado somente às dívidas que acumulei e nunca ao amor que simulei.
Dito isso, as lágrimas escorreram sob os poros mofados da cinquentona que deduzi ter sido um dia, absolutamente tolerável. A verdade é que as entranhas de Regina me atacavam a rinite. A poeira dos anos parecia ter se acumulado como nas frestas de um baú em decomposição. Regina me pôs pra fora aos gritos, acusando-me de desistir da infelicidade conjuntural que assombrava todo o lar. Sem recusa ou descontentamento, catei o que me era de subsistência e não procurei julgar o que fazia daquela mulher complacente com a própria desgraça.
Se aprendi alguma coisa nestes sessenta e oito anos de vida foi a nunca sair da zona de conforto, afinal, qual a utilidade de entender o que não há como concordar? A fadiga me perseguiu até meus últimos dias. Vivi morto para não ter com o que me preocupar. Ensinei aos meus filhos tudo o que pude para torná-los cientes da acidez de minha herança genética e deles recebi em troca tudo o que cultivei: desafeto. “Bravo!”, eu disse. Crias ácidas e preparadas para saber colher as safras do que nunca souberam ter plantado.
E cá estou sendo avisado por pulmões e artérias que não me resta mais muito tempo. Cá estou eu colhendo o que pela primeira vez admiti ter plantado. Esta morte insignificante é resposta a minha insensatez. Nesta altura, se não houvesse me perguntado do futuro e tivesse mantido os passos para não se sabe onde, ao menos alguns bons dez ou quinze dias antecipariam a morte que havia reservado para mim. E cá estou eu de frente a única coisa que planejei e nem mesmo ao olhar de todos os santos que desprezei pude concretizar. Eu planejei sofrer em minha partida, nunca imaginei ter que suportar este olhar sarcástico e pouco trágico nos meus últimos suspiros.
Contra a lamentação, decidi ignorar estes devaneios e aproveitar os últimos espasmos que minhas pálpebras me concedem neste instante. Ao olhar pra esquerda, pude entender o motivo de estar esparramado ao chão, sendo inundado pelo sangue que drena meu crânio lentamente, como se não houvesse pressa.
Eu fui assassinado. Morto pela fraqueza de outrém. Fui esmagado pelo ser que mais foi vitima de meu desprezo em toda minha vida. Fui morto pelo homem, um infeliz suicida que espalhou meus objetos pela ruela fedida que nos rodeava. Fui morto. Não tive escolha nem a chance de realizar a única coisa que planejei.
O ultimo ruído que pude escutar foram as balas do meu revolver rolando bueiro abaixo. Levando consigo o futuro que eu havia me permitido escolher e a busca do meu maior potencial: traçar o meu fim com minhas próprias mãos.

terça-feira, 6 de outubro de 2009


Minha mãe me pariu. Desde lá não soube mais o que fazer com a vida e continuarei a não dar nenhum propósito a ela até que me provem que há sentido nesta ação obrigatória e um tanto cansativa.
É admirável a voracidade que observo em certos indivíduos quando se trata de agir. Pessoas vivem se apresentando para as outras como se, de fato, houvesse algo de interessante a ser partilhado. A verdade é que não há. O que é interessante, depois de depurado, não é nada além de algo que já foi sedutor. Assim, acabo de provar a mim mesma o fundamento de minha preguiça interminável: a minha própria descartabilidade.
Já diria Bauman em sua vida líquida que o “afrouxamento das relações” é muitas vezes o culpado da angústia geral dos homem modernos. Talvez, se minha mãe além de ter me parido me dissesse “Carolina, você será violoncelista”, hoje eu não estaria escrevendo sobre o caráter descartável de minha personalidade e, estaria agora, sentada na primeira fileira de uma orquestra, fascinando eternamente expectadores com minha técnica impecável.
Nem tudo são flores, ou quase nada. Por isto recolho-me a meu estúpido expansionismo mental e dou continuidade a esta lógica da qual já sou descrente. Nela me alimento todos os dias para nutrir minha defesa à falta de ânimo, pois nada é mais cansativo que explicar a um ser de sangue quente que nada há de se fazer com ele, se este não se convencer descrente de si.
A modernidade não se explica, menos ainda define o que somos. A verdade só existiu em épocas de caverna. Lá, onde nada havia de se fazer, o homem desenhava na tentativa de registrar a essência da vida: o nada. Pois do questionamento surgem as dúvidas, das dúvidas a angústia, e da angústia e do útero de minha mãe, eu surgi.
O que terei a dizer aos meus filhos? Desacreditem-se. A tristeza do homem é saber que há explicação, pois dela só se tira a crua verdade: o nada. Direi a eles que sejam violoncelistas, que se sintam felizes com a própria mediocridade, que se apresentem aos outros como se tivessem algo de interessante a falar e que, do fundo da alma – nunca do cérebro - sejam bobos, pois são os bobos que nunca se preocuparão com o que não tem explicação.
Direi para não serem como a mãe e suplicarei: assim que cuspidos de meu útero, saibam o que fazer com a vida, pois esta é a ação obrigatória mais incrível que há de haver.



Exercício de Técnicas de comunicação II. - Começar um texto usando "Minha mãe..." -

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Exercício Técnicas de Comunicação II (prof. Claudia Chaves)
- Escreva sobre alguém que você ama e me faça amá-la também.



A verdade é que evitei pensar no que escrever neste texto há alguns longos dias, tentando escapar da clareza e coerência dos fatos da minha vida que, no fim das contas, me convenceram a usar como artifício a sinceridade e atestar: não há do que falar. Desta maneira, me rendo ao destino de não cumprir com o objetivo da tarefa, falando então de mim mesma. Optei por isto acreditando que, assim como existem chances de não receber uma nota adequada a minha intenção, há uma probabilidade ainda mais atraente: ser amada.
Não entrarei no questionamento do amor em sua essência, pois dele já estou cansada de saber. Assim, aqui estou eu revelando a maior prova de meu apego incondicional a mim mesma: o medo da morte. Ela sim é uma companheira desleal. Ataca-me por todos os lados impedindo qualquer envolvimento com o resto da multidão. Ainda que seja um parasita persistente e pouco lógico, não estou escrevendo para me queixar dela, mas para apresentá-la como a maior prova do meu amor. A morte não dói em mim como afastamento definitivo das coisas que construí e das pessoas que cativei. A morte seria me perder de mim mesma, e essa dor eu sei não ser capaz de suportar.
Relendo o que acabo de sintetizar, sinto um gosto no fundo da boca que não me cai bem e, nesse caso, eu deveria reescrever, mas não o farei. Não quero que pense que eu me amo por ser a melhor pessoa do mundo, nem mesmo que eu tenha alguma disfunção narcísica ou algum tipo de psicopatia. Eu não quero que pense que eu me amo, por mais que já tenha dito isso. Eu me suporto e me acompanho, e me amo por ser capaz disso. Me amo por ser a única pessoa que, de frente ao pior e melhor de mim, não deu sequer um passo para trás.
Ainda insistindo no meu artifício inicial, serei sincera afirmando que talvez não houvesse mais nada a ser dito, porém, com medo da repercussão desse “relato expositivo”, tentarei aliviar um pouco esta paisagem um tanto nebulosa. Neste caso, reúno aqui alguns motivos pelos quais alguém deveria, se não me amar, no mínimo me acompanhar.
Começaria me definindo se soubesse como sou. A verdade, outra vez, é que ainda não sei onde batem minhas extremidades, não sinto meu cheiro, não me enxergo no que você vê, não tenho cor preferida e menos ainda pretendo ter. Encontro-me em poucos momentos e em todos os outros sou fera ferida, correndo numa selva sem dimensões. Sei que existo quando percebo estar sentada na beira da praia por conta da areia pinicando e, primordialmente, pelo único barulho que minha mente se cala para me deixar ouvir: o vento.
Eu sou quando não me escuto. Quando me deixo falar, completo meu corpo de interrogações sobre ele próprio e isso me cansa. Eu vivo do meu esquecimento. E ele só existe em tempos de beira de praia ou em tempos de gente. E este, este sim, é o tempo que só depende dos que souberam me encontrar.
Eu existo pelo amor, e por ele eu peço: não deixe de me acompanhar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Não é angustia, luto, ansiedade ou falta de amor. É pavor.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Chora, Carolina.
são essas lágrimas que tu carregas
que te desafogam da solidão.

diga-me se carregas
vestigios em corpos à repousar
de um instante, juntar-se em pele linear.
pois o teu toque,
em mim;
sei que quis registrar.


(2008)

domingo, 9 de agosto de 2009

Afago no peito
as costas da mão,
sabendo essa ser
a única maneira de aquecer o coração.

segunda-feira, 29 de junho de 2009


No pensamento (e nos fatos) de hoje
Tudo induz e conduz ao ato e à ação,
De forma que só é digno de elogio
Falar da queda e não da contusão.

William Shakespeare

terça-feira, 28 de abril de 2009

O assassinato



Então fez-se homem, como há muito não tentava se convencer. Ergueu os ombros em direção ao frágil requinte de beleza que o aguardava, por muito, quase desistira de tocar-lhe os prantos. Estes sim, escorriam em tamanho descontrole sob a face taciturna da jovem de pele amendoada. Pensou e hesitou tamanho segundo que quase a fez despedaçar, mas ali, bem próximo ao desfecho que a traria de volta ao torpor da solidão, do próprio trato fez-lhe o seu criado. Caminhava ao lado seu, como se não desconhecesse o rumo que os vastos passos daqueles pés dascalços traçavam. Pois bem, não se importava com o destino de tal compasso mal pensado. Sabia ele que, por fim, de voltas a mesma partida, ela lhe traria o gosto amargo da verdade envolta em um veludo rosa-envelhecido. Este, tão úmido quanto suas têmporas, as quais já haviam desistido de lutar contra a maré que as mantinham submersas. Ainda assim, alongou os braços para que pudesse atingi-la antes de, como sempre fazia, iniciar-se em uma retórica incontestavelmente penosa, da qual ela mesma sabia não ter fim. Sentiu-a como bruma invadindo a brisa porosa de seu peito. Completando os vãos que se formaram enquanto escolhia viver a espera daquela descoberta, doce e serena, como nunca havia de haver. Enquanto ela... atirada em muro de mármore, estraçalhada em pequenos cascalhos que, desta vez, não se uniriam nunca mais. A dor era sua liga. Ele a matou.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

lá no alto




a roda gira em torno da canção.
quem mais pode não querer
ouvir a voz do coração?

o som que vem do morro,
lá de cima vai cantar;
teu choro ao anoitecer
pela manha que não virá.

a beira desta renda,
toca a chama da fogueira.
tu, que notaste minhas pernas
no caminho à ribanceira

sonha, amado
que esta saia torre em teu convés
pois são estas ondas que navegas
que me levarão aos teus pés.

meu riso é fruto da solidão.
quem mais pode querer
ouvir a voz do coração?

terça-feira, 21 de abril de 2009

recusa-me



pendure o casaco,
desamarre as botas,
me encontre bem longe de lá.

pois nestas ruas cinza-chumbo,
mil olhares vivos
só enxergam o que não há.

tua miopia é minha.
anula os tons
que escolheram pra pintar;

um mundo lírico,
monocromático,
saiba, você soube desvendar.

a prosa é simples,
sem vontade de rimar.
não me resta esforço pra convencê-lo:

eu,
não serei o teu par.
de mim tu não precisas mais
que alguém pra nunca abandonar.

amarre as botas,
vista o casaco,
e saia pra me acompanhar;

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sobre estar só, eu sei
nos mares por onde andei
devagar...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

"o amor é o ridículo da vida.
a gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora...
a vida veio e me levou com ela. sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue; bonita e breve,
como borboletas que só vivem 24 horas;
morrer não dói."

Cazuza

domingo, 8 de março de 2009

"Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho..."

Jobim

segunda-feira, 2 de março de 2009

dicionário




Sou sanguesuga de admissão inerente e não carrego o fardo em coroa de pérola. Vim do petróleo bruto, do raro e do indesejado. Esculpida em alexandrita, sou carne desconhecida, carrego um cheiro animal; eu sou londres do século 16.
Eu sou a espera. E nela consiste a minha história: até que eu o encontre, todos os outros se arrastarão tabuleiro abaixo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

a certeza de estar em depressão não pode ser mais comprovada do que quando um comercial de analgésico te faz refletir:

"A dor é algo natural de sentir na vida, mas isso não quer dizer que você não possa acabar com ela; tome Sonridor."

domingo, 15 de fevereiro de 2009

redenção




é um estado de desgraça,
uma psicopatia virtuosa
sem vitimas a espera.

neste vão sem sabor,
sem brisa, sem temor,
há tudo,
tudo o que não haveria de haver.

de contempla-lo: morreu um nobre;
um interiorano
de território contido
e de mente infinita.

de morrer: viveu uma qualquer
tão singular que por isso ficou.
a esqueceram louca, louca varrida
e morta, de morte vivida.

ser
por delongas e clarões
o mais fiel a esta realidade
e saber:

nada será belo,
ainda menos distinto
se meu coração não quiser escolher.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

precisa-se de paixão.
um amor, pra que eu o faça uma ocupação.

sábado, 17 de janeiro de 2009

sereno





serei assim:
por completa sinceridade,
cobrindo as extremidades deste corpo-ilusão.

de segundo em minuto,
trasformo-te em mais um conto amoroso
nesta minha perfeita criação.

privando-me do infinito,
quisera eu um dia ser
mais uma nessa incontável imensidão;

mas estarei assim:
por completa insanidade,
despindo as mentiras que usei em minha sedução.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

impaciente



ah, mas não tem nada não.
daqui tu não me tiras,
amarrei-me nas grades desse portão.

ora, por que não desiste?
entenda logo, coração
nada há de restar
se insistir em procurar.
mas se me pegar sem pensar
é que em mim não devo estar.

então,
me escuta aqui, bem de perto:
já não te sobras mais o que colher,
da minha carne tu provastes
sabendo que não iria mais ter.

e se te explicar assim...
levinho, bem carinhoso:
não perca teu tempo, bem meu
demoras tanto pra crer
que só me entende quem já morreu.