quarta-feira, 17 de dezembro de 2008




leve dezembro



vovó, vai embora com deus.
eu não pude dizer
que você não iria gostar
da terra, lá no fundo ficar.
mas não preocupa-te,

já mandei avisar:
quando um cadáver eu virar,
debaixo da terra não quero estar.

pedi também pra lembrar,
que no banco da praça
é pra me colocar;

minha alma contigo já vai estar,
mas meu corpo, oco,
pra senhora
irá contemplar:

o que o doutor não deixou você ver
meses antes de morrer,
naquela sala azul
a visão da praça, você não pode ter.




(escrito em lágrimas, para aquela que pouco pude dizer.)

domingo, 7 de dezembro de 2008

LEIA-ME



descansa sua alma em meu vasto descaso,
que dela tu me destes mais do que preciso.
deixa ser estranho o que tu sabes;
deixa ser novo o indeciso.

quero beijos bem dados,
onde o cansaço dos anos
se esconda atrás do teu sorriso;

quero tuas mãos marcadas,
espalmadas sem dó,
sem afago e sem carinho.

não quero palavras ensaiadas.
quero o silêncio,
aquele em que o corpo fala por si.

embrulhe teu egoísmo,
mande-o pra dentro de mim.
não desejo seu apreço
só quero admirar-me em ti.

tente me oferecer amor,
e te digo:
já não sei mais mentir.