terça-feira, 27 de maio de 2008

prólogo



hoje quis te dizer coisas que temia esquecer
mas do contrario se fez,
pois algo me tentou calar
como quando te vi pela primeira vez
e desde lá, sabia o que esperar.

em mente trancada te guardei para a escassez
que daquele momento em diante
sabia que iria passar;
pois só me restava procurar
pela certeza de te reencontrar.

porém hoje,
logo hoje
pude abstrair
que dos meus braços irás partir
e na ausência da certeza,
- eu vou esperar -
que a vida repita o que me fez
como quando te vi pela primeira vez.

sábado, 17 de maio de 2008

recicla-me


meu corpo oco;
não ha mais o que tentar.
o caso é raro, não ha doutor pra procurar.

pouco,
meu sangue é oco
de pele em pele, cansou de escorregar.

oco, de pouco em pouco
vem parando o coração, por pulsação
nada mais vai me restar.

em outro,
meu pouco; de tão oco...
só resta procurar
um outro corpo a ocupar.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

homem de deus (?)



vivia procurando
sentido nestes bancos de praça
e pelas ruas perambulando,
observando
uns traços tímidos de poucos gestos
neles, estive advinhando:

o que pela mente te passas, homem de deus?
se a minha só traz preocupação
com o futuro dos filhos teus.

pois mais do que apertar este coração
a miséria de tuas palavras pouco dirigidas
só mostra tua carne ensanguentada do mais puro desdém;
onde tua mulher, afundada em teu peito apodrecido
- no desespero -
suplica-te trégua a teu prazer egoísta,
pedindo que olhes vossos frutos virando carniça
pra alimentar mais uma noite de ruína. pois tu,
tu não mereces nem mesmo a minha rima.

terça-feira, 13 de maio de 2008

uma estrofe.



me recuso a te deixar;
desaprendi a te esquecer.
não viverei a vida a procurar
mulher minha, onde possa estar
que não em meu braços,
a entender
que mal não faço
se tudo o que posso querer
é minha vida viver
ao teu lado, a cada passo
nao quero esconder
a falta que me faz, já ainda sem partir
pior ainda é pensar:
em minhas manhãs, acordar
e não te ver sorrir.

sábado, 10 de maio de 2008

gosto quando te calas
ainda como em meio ao desespero
gosto quando me falas

gosto ainda de teus olhos, repletos de primavera
esperando sussurros, sinais vitais
de meu pobre coração despedaçado
que nada mais
dizer-te, quer; em tamanho abandono
de tua aparição, que como dádiva
só fez inundar meu outono.

gosto quando me falas
ainda como em meio ao desespero
gosto quando te calas.