terça-feira, 29 de abril de 2008

mãe


o nada não me apetecia
e assim sem aviso
de teu desejo fiz-me vida
presente maior nunca hei de receber
menos ainda planejo agradecer

ainda que penses o contrário
tenho algo a dizer

nada saberia valorizar tão calada,
que não o teu amor;
pois saiba que o mais sincero zelar
é aquele que a cada dia escuta-se menos
porém se firma em mais outro andar.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

eu não amo ninguém
e só sei falar de amor.

porque ver-te a ti, amor, tão longe
faz com que te ame ainda em profunda ausência
queria conjugar-te em todos os versos
e ainda lembrar-te, amor, de minha eterna carência

permita-me outra vez, amor, que sinta a imensurável dor
e ainda o experimento da morte por teu nome
já que dela revivi e dei-me de encontro ao louvor
de assistir teu fim, em meio ao desdém

mas eu não amo ninguém
e só sei que amo o amor.

 

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Ah! minha mulher;
que de mais pura deixou cair teus prantos
sobre meu peito amargo,
mágoas para os cantos

de imediato
fiz da atenção um trato
às curvas mais lindas que hão de vir
mesmo se te quiseres partir, pois;
já vi

nada mais te prende aqui
além da devoção que nunca te contei
quando entre meus braços fracos quase te falei
que mulher mais minha nunca quis;
pudera eu te fazer feliz.


(à, minha mulher)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

nota-se um vazio
essencialmente meu
surge contornando um formato
estranhamente seu

nota-se um descuido
curvas de ombros descobertos
acentuando a impulsividade
de meus toques incertos

nota-se um desejo
teu mapa figurado
teu corpo prometido
com meu nome estampado

nota-se um sonho
do qual fui despertado.
o desgosto do comparecimento foi arrebatador
um semblante carregado, nula fixação ocular
mas ao passo das horas notava-se um esforço moribundo
vi-me de encontro a pistas de um futuro andar
lá pelo décimo segundo.

detestável imagem num espelho definhado
em puro descontentamento
meus prantos já não confortam o exilado pensamento
confinado, prometido e vulgarizado
num desfecho tantas vezes avisado
da solidão fiz-me ainda mais desatento...
preciso encontrar um verso
ao menos um
que entenda o que não sei mais sentir
que chore os beijos que desaprendi

preciso encontrar um verso
que explique a mim
o caminho contrário desse fim

procuro-te incansavelmente, verso
pra que traga de volta o ar que me privei
e agora perdi

a ausência que tanto cultivei
era pra te ver sorrir;

preciso encontrar um verso
prova memorável da razão, que...
nunca deixou de existir

meu amor,
não se perca em minha dor
pois só a mim cabe curar
o desespero de precisar te amar.
mas a saudade destes versos em preto e branco
perdidos na selvageria de meu pranto
quiseram afundar-me junto as ancoras da morte
atirando a mim, junto ao sangue gélido deste corpo
num ato súbito, como a brisa difusa dos mares do norte

ao passo desta demência refreada por vida
busco a verdade em meus versos vermelhos
a intencionalidade encoberta nos verdes
delicadeza em oscilações de estrofes rosadas
e o amor, tão isolado e preenchido
em meu único verso vazio.
aquela minha cor de mar se foi
minha cor de céu se foi
cor de terra se foi
de nuvem se foi
vento se foi
se foi
foi;
pois já não te ofereço mais nada
já que tirastes o que tinha
arrancastes o que te faltava

ainda que preso a ti
descrendo da selvageria de teu lábios
peço apenas
não me forces a andar a teu lado

e desconheço um rumo à retornar
ao passo ancorado que perdestes no mar
sórdido e frio
sem pensar
em tuas ultimas palavras
deixastes ir embora
em meu ultimo olhar


(encerro-me... os versos que restaram; esses já se foram)
tanto tempo que não via a dormideira
desfalecida por baixo d'um toque
e d'uma expectativa sem fronteira

quisera eu um dia ter-te plantado
ó dormideira
mas nao te mereces um jardim esburacado
donde adubei tanta tristeza e desgraceira.
há primavera na janela, pétalas ao vento
há inverno no quarto
e um outono aqui dentro.