quinta-feira, 12 de novembro de 2015

o violão que não toco
os livros que só compro
os blocos sem rabiscos
os talentos que por ventura existam

todos habitam esse quarto
menos eu

tudo habita esse quarto
menos eu

se há sentido nisso
toda manhã
se livrar do querer
correr pro dever
pra chegar no quarto
e descobrir que em mim
nem sequer habito

hoje sou travessia
atravessada
nada além de um montante
de possibilidades
abandonadas



terça-feira, 15 de setembro de 2015

terça-feira, 1 de setembro de 2015

9:45

na pressa da manhã 
eu vou andando 
e descascando 
uma banana
quando vou comer
não como

do outro lado da rua
na virada do ponto de ônibus 
dois daqueles homens 
dos homens que se viram
viram
seus paus se despindo
por baixo da casca
da minha banana 

a fome eu aguento
do asco da lógica 
me alimento 
pobre mesmo é a banana 
em sua forma perfeita 
e sacana
desamarela e morre 
pelas bocas que se amedrontam

pela minha não.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

obs.

você
e as manias
das costas que pingam
dos minutos pra deitar 
do virar dos rótulos 
do cabelo secar
dos lençóis comprar
dos gatos acompanhar 
da TV conectar 
de todas as coisas cuidar
e eu 
que tanto tento não rimar
não posso consertar
se nada te cabe 
que não o verbo livre
pra contar 
esse fazer em círculos 
ninguém para pra notar 
meu deus a sorte
que do meu lugar
dá pra ver você dançar 
as roupas trocar
os olhos coçar 
e então recomeçar 
a ser seu círculo 
de todo santo 
e não santo dia

(é tudo poesia)

quinta-feira, 20 de agosto de 2015


pra cada gota
que não cai dos olhos
um prego a mais
me broca a alma
em nó se faz
a expiração 

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

eu
na boca dos outros
sem cor
açúcar ou
sabor
como um chiclete velho
só serve
pra mastigar

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

você em água
ora nos olhos
ora nas mãos

o rabisco da nuca
nunca tinha 
tomado outro corpo

só agora
então





terça-feira, 28 de julho de 2015

meu coração
e uma bola de ping
pong

entre ele
a rede
e os lados da mesa

é quem se debate mais

quarta-feira, 22 de julho de 2015

a calma
nos seus olhos

tanto quis
e agora me destrói