segunda-feira, 29 de junho de 2015

eu, você
o chiado do recreio
o cheiro do café
o casaco no chão

eu, você
a neve na janela
da casa de 5
só vivem 2

eu, você
o buraco no teto
pra luz central
que não compramos

nem vamos

na mesa o caderno
a lente fora do corpo
e o aviso mudo
da poeira

não escutamos

faz -6
nos despimos e
a língua
estrangeira
vai te chupando

o enjôo dos dedos
sem solução
já que tu sais bien
que ce soit à Paris
ou à Berlin

nos encontramos

quinta-feira, 25 de junho de 2015

acorda e lava o rosto
com a água dos olhos

segunda-feira, 2 de março de 2015

112


a vida, agora, me faz parecer um pedaço de papel. 

escreverão em mim.

simples assim.





(eu aceito.)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

junto o verbo com o ato
ou o ato já é o verbo?

no esforço pra tentar,
no verbo,
traduzir o pensar

logo descobri que
nem o que há,

há.





terça-feira, 25 de março de 2014

Não tem um dia que eu não queime por dentro.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

E esses seres tão pequenos de alma
Cambaleando em saltos tortos,
Para olhar de cima
Toda a miséria que tem dentro de si.

Assim lhes deve parecer menor.

terça-feira, 14 de maio de 2013


Sou das que deixam pra se livrar dos olhos pretos na manhã que segue. Só lá, depois de muito admirar a decadência ordinária que orienta os borrões por cima da pele.

segunda-feira, 6 de maio de 2013
























Estou no meio de gravatas e bater de saltos,
Entre ponteiros e prazos,
Imersa no vigor medíocre da corporação.

Sou trilha incandescente ao limbo,
O fluxo contrário do pulso,
Mais uma na multidão.

Mas vivo em parábola,
Sou ramificação da equação.
Uma reta perpendicular
A toda essa vã repetição.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013















O colchão novo só tem lugar pra um.
Sem espuma e de madeira,
também recusa me abraçar.

À noite, quando tento calar o pensamento, 
sua dureza insiste em relembrar
as dores que meus ossos causam ao me virar.

Me dizem
que nao mereço afago algum,
e que pro café
é chão e jejum.

Sem motivo pra levantar,
fico aqui a fitar,
esse colchão novo
maldita hora que foi chegar.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Larguei de lado a agonia e peguei um lápis,
Já sou o esboço do meu próprio eu.