terça-feira, 14 de maio de 2013


Sou das que deixam pra se livrar dos olhos pretos na manhã que segue. Só lá, depois de muito admirar a decadência ordinária que orienta os borrões por cima da pele.

segunda-feira, 6 de maio de 2013
























Estou no meio de gravatas e bater de saltos,
Entre ponteiros e prazos,
Imersa no vigor medíocre da corporação.

Sou trilha incandescente ao limbo,
O fluxo contrário do pulso,
Mais uma na multidão.

Mas vivo em parábola,
Sou ramificação da equação.
Uma reta perpendicular
A toda essa vã repetição.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013















O colchão novo só tem lugar pra um.
Sem espuma e de madeira,
também recusa me abraçar.

À noite, quando tento calar o pensamento, 
sua dureza insiste em relembrar
as dores que meus ossos causam ao me virar.

Me dizem
que nao mereço afago algum,
e que pro café
é chão e jejum.

Sem motivo pra levantar,
fico aqui a fitar,
esse colchão novo
maldita hora que foi chegar.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Larguei de lado a agonia e peguei um lápis,
Já sou o esboço do meu próprio eu.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Te amo tanto que
já não te enxergo mais.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

auto retrato (2006)



no que eu faço
meu auto-retrato
me desenho um barco
por vezes afundo
ou me perco no mundo

me desenho folha
pra sentir como a bolha
anda feliz, se anda sozinha
mas me vejo criança
me tiro a lembrança
de um outono ventania
onde eu, folha
voava e sorria

num fim reluzente
eu me desenho contente
pra fingir que sou gente

mas no que eu faço
me apago todo dia
pra procurar minha semente
e perguntar se explicaria

por que eu, menina tão crescida
peço todo dia, não vente
pra deixar que eu procure a mim
isto, a mim, somente.