terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
O colchão novo só tem lugar pra um.
Sem espuma e de madeira,
também recusa me abraçar.
À noite, quando tento calar o pensamento,
sua dureza insiste em relembrar
as dores que meus ossos causam ao me virar.
Me dizem
que nao mereço afago algum,
e que pro café
é chão e jejum.
Sem motivo pra levantar,
fico aqui a fitar,
esse colchão novo
maldita hora que foi chegar.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
segunda-feira, 31 de maio de 2010
segunda-feira, 2 de junho de 2008
auto retrato (2006)
no que eu faço
meu auto-retrato
me desenho um barco
por vezes afundo
ou me perco no mundo
me desenho folha
pra sentir como a bolha
anda feliz, se anda sozinha
mas me vejo criança
me tiro a lembrança
de um outono ventania
onde eu, folha
voava e sorria
num fim reluzente
eu me desenho contente
pra fingir que sou gente
mas no que eu faço
me apago todo dia
pra procurar minha semente
e perguntar se explicaria
por que eu, menina tão crescida
peço todo dia, não vente
pra deixar que eu procure a mim
isto, a mim, somente.
no que eu faço
meu auto-retrato
me desenho um barco
por vezes afundo
ou me perco no mundo
me desenho folha
pra sentir como a bolha
anda feliz, se anda sozinha
mas me vejo criança
me tiro a lembrança
de um outono ventania
onde eu, folha
voava e sorria
num fim reluzente
eu me desenho contente
pra fingir que sou gente
mas no que eu faço
me apago todo dia
pra procurar minha semente
e perguntar se explicaria
por que eu, menina tão crescida
peço todo dia, não vente
pra deixar que eu procure a mim
isto, a mim, somente.
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